REUCA - Rede Europeia de Umbanda e Cultos Afro

Pela Dignificação das Religiões Afro Brasileiras na Europa

O texto é meu, retirado do site www.artefolk.wordpress.com

Amigos,

Gostaria de dizer que sou velho, que já tenho muitas experiências dentro da nossa querida Umbanda, que a conheço como a palma de minha mão, mas não posso. Pra ser totalmente sincero, tenho até medo de quem chega a cogitar tal possibilidade de si próprio. Venho acompanhando nesses últimos anos as salas de chat sobre Umbanda, algumas comunidades do Orkut, algumas listas de email de alguns terreiros e as vezes fico ainda com mais medo do que vejo. Fico com medo da prepotência, da intolerância e da ganância.

Prepotência porque não se ouve o próximo. Lê-se o que é dito com a certeza de que está errado. Raras as vezes que se lê que diferenças existem, e que tem que ser respeitadas.

Intolerância porque essas diferenças causam brigas e trocas de ofensas, por detalhes sem importância. Afinal, que importância real tem nomear assim ou de outro modo uma faixa vibratória? Que mal tem uma pessoa entender por “Orixá” uma lenda ou uma energia? Que mal tem se Egunitá é Orixá ou o Egum da mãe Anita? Afinal, o que deveria importar não é a caridade e o amor com que se faz os trabalhos?

Ganância porque vejo cada vez mais gente querendo lucrar com o “incobrável”. São cursos e mais cursos brotando em colégios, faculdades, cursos livres, casas de estudo e quais nomes mais conseguirem encontrar. Uns querem construir um órgão supremo de Umbanda, outros querem ensinar os Sete Tronos de Exú. Cada um se esquecendo que Umbanda está no coração, e não no bolso. E é de graça que se dá o que de graça se recebe.

E cada vez mais vejo novos dogmas aparecendo por aí. Dizem que no terreiro tem que cumprimentar entidade cruzando as mãos. Dizem que tem que bater no chão. Dizem que tem que rezar, que tem que incorporar assim ou assado. Dizem que tem que rezar o Pai Nosso antes da Ave Maria. Dizem que Jesus não é da Umbanda, dizem que se defuma antes de abrir as cortinas. O que importa? Posso apostar que do lado espiritual eles não fazem a mínima questão de nada disso, desde que estejamos com nossas mentes livre e nossos corpos cheio de amor e compreensão.

O mais bonito na Umbanda é sua diversidade, porque ela atende a diversidade espiritual que existe. Atende o analfabeto e o letrado. Atende os espíritos evoluídos, os atrasados, os endurecidos, os perdidos, os que nem sabe que são espíritos. Atende o negro e o branco, o amarelo e o vermelho. Atende o homem e a mulher e não faz diferença. Atende o humano, o animal, o vegetal, o espiritual, o mineral. Tudo depende de si próprio, pois é cosigo mesmo que a Umbanda é feita. E por tal motivo, cada Umbanda é única, a minha Umbanda é diferente da Umbanda do dirigente da casa que freqüento. É diferente da Umbanda da minha noiva, da Umbanda do MacMônico, da Umbanda do Miudu, da Julia, do Edson, dos meus pais, dos meus “mentores espirituais”, mas ainda assim todas são uma única Umbanda, pois todas atendem ao princípio básico da religião: Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo. O resto é confete, ou melhor, adaptação.

Assim como um pronto-socorro é diferente de uma clínica, pois tem princípios diferentes, embora os motivos sejam os mesmos, os terreiros tem suas peculiaridades, dependendo do público espiritual que o frequenta. Meu desenvolvimento foi único, em meu tempo de desenvolvimento, aprendi as lições pertinentes para a minha evolução e para a evolução dos que me cercam e, a partir daí, meus consulentes são selecionados para serem atendidos de uma forma que se afinem comigo. Não por mim nem por ninguém, simples questão de afinação energética. Os que tomam um passe comigo e gostam acabam voltando, os que não se afinam, escolhem outro médium em uma próxima ocasião.

No desenvolvimento do MacMônico, ele aprendeu coisas pertinentes à sua evolução e, apesar de sermos da mesma época, do mesmo terreiro, aprendemos coisas diferentes. O que levaria, então, nós dois abrirmos um terreiro e levarmos as coisas de uma mesma forma? Não faria sentido. Se assim fosse, a “clientela” seria muito específica, não poderíamos levar o bem e o amor a todas as camadas da sociedade, a todas as pessoas, pois todos somos diferentes, essa é a beleza, e seria tão chato quanto ir a igreja se todos os terreiros fossem iguais, com “missários” dizendo em que momentos se deve ascender os turíbulos ou fazer o sermão, sobre o que deve-se falar e quais músicas cantar. Quando um deve entrar e outro assumir e o que deve ter aprendido até lá.

E por que estou escrevendo tudo isso?
Porque tenho visto uma busca incessante por apostilas de cambones, de mediunidade, de ogãs. O que o cambone faz? O que é necessário para o seu terreiro prestar a caridade. O que o Ogã faz? O que é necessário para o seu terreiro prestar a caridade. O que o médium faz? O que é necessário para o seu terreiro prestar a caridade. Como eles fazem? Isso vai de cada estado, de cada cidade, de cada cultura, vai de cada casa, de cada um, de casa situação. O estudo sempre é útil, claro, mas as vezes precisamos ter uma alta quantidade de discernimento para ver, ouvir e selecionar. Senão caimos naquela velha história de sempre: prepotência, intolerância, ganância.

Abs.

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Respostas a este tópico

Ashe Caro Partcipante
Venho agradecer a elevação dos temas que coloca na Rede.
O nosso muito Obrigado-

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Administrador said:
Ashe Caro Partcipante
Venho agradecer a elevação dos temas que coloca na Rede.
O nosso muito Obrigado-

Obrigado amigo. Espero sempre colaborar com nossos irmãos aí do além mar.
Qualquer coisa que puder ajudar, é só contatar.
Abs.

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Este texto está muito bem escrito. É bem claro. Espero que entre nas mentes de todos os "umbandistas" e não só. É uma chamada de atenção ao amor que é a verdadeira energia que nos é vital.

Meus parabéns!!!
"Quisera eu conhecer os pensamentos de Deus"!!!...

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Meu irmão,
Com este texto você disse o que era preciso ser dito. Por isso tudo é que a Umbanda tem beleza. Porque tudo o que é belo tem colorido, tem diversidade,tem diferença. Neste mundo globalizado há sempre quem queira "globalizar" a nossa religião, para depois Institucionalizar, que é o mesmo que dizer criar hierarquias e com elas poder e mais poder. A nossa religião nasceu do povo e para o povo, para os desvalidos, os necessitados. Não são necessários intermediários detentores do poder. Na Umbanda, qualquer um, desde que imbuído de bons sentimentos, pode "falar" com as Entidades. São elas que estabelecem as regras para o adepto.Não há dogmas ou verdades absolutas.
Bem haja irmão pela sua sensatez e verdadeira dedicação ao espírito Umbandista.
Ana

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Salvé,
devo dizer que adorei seus pensamentos, que bom que era se agissem assim, não é? concordo plenamente, e se ouvesse mais respeito por todas as casas e fundamentos de cada uma seria maravilhoso, sabe, agora até tem um dito Pai de Santo que desenvolve filhos pela internet do outro lado do mundo! com isso é que realmente fico chocada! mas o que interessa é que levemos nossa missão como atrás descreve, sabendo de antemão que aprenderemos até passarmos para outro plano e é para isso que cá andamos e precisamos todos uns dos outros.

Axé

Mãe Youlah de Abaluaê

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Obrigado amigos!

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Concordo com você, meu irmão. Para mim a Umbanda é antes de tudo um estado de epirito em comunhão com a luz. É uma forma de praticar o amor incondicional.
Devemos estudar , sim , muito. Mas esse estudo tem que ser complementar , não o principal, o verdadeiro aprendizado da Umbanda está no trabalho de amor ao proximo, na caridade incondicional, no cotidiano do terreiro , no aprender com cada guia a cada dia um ensinamento diferente. É perceber que a própria espiritualidade é difernente todos os dias, sem deixar de ser igual em sua essência de amor. Nós encarnados, somos terrivelmente ligados aos dogmas, aos conceitos fechados, ao condicionamento, mas a espirtualidade , como a Umbanda se renova a cada dia, está sempre em movimento , sempre evoluindo , tem sempre uma maneira de ajudar , de cuidar, de transmitir novos ensinamentos, de acalentar. Somos aprendizes metidos à doutos, crentes que sabemos e que podemos. Sabemos , sim , podemos , sim , mas muito pouco se comparado à espiritualidade de luz.
Para mim, a Umbanda é a manifestação do espírito para a caridade como bem o disse o Caboclo, mas precisamos nos lembrar que também somos espíritos, encarnados, mas espíritos, portanto temos tanto a obrigação quanto às condições de prestar essa caridade assim como os irmãos desencarnados o fazem.
Deveríamos cuidar mais de suprimir e vencer nossas deficiências e menos de tomar conta das deficiências do outro. Só isso já resolveira boa parte do problema de ficar tomando conta do que o outro faz. Ou acreditamos na espiritualdade e naquilo que pregamos e praticamos, ou é melhor procurar algo mais dogmático com uma cartilha bem rígida de atos e comportamentos . A Umbanda é uma religião de libertação, porque ensina o Homem a libertar-se dos dogmas e a assumir suas próprias responsabilidades pelo seu presente e futuro. E essa assunção é individual cada qual no seu tempo e da sua forma. Aprendendo a aprender cotidianamente.
Podemos e devemos compartilhar nosos conhecimentos, mas as decisões finais sobre como e quando utilizá-los são nossas e de nossos guias, podendo ser aceitas se vindas de outros, mas ainda assim serão sempre nossas escolhas. Formas rituais, nomenclaturas , cores de guias ,etc. tudo isso é muito bom , mas sem amor ... não serve de nada , sem fé menos ainda, sem coração não funciona.
A Grande questão é saber se os trabalhos que são realizados o são por amor e com fé e se têm resultados que modifiquem e melhorem as pessoas e suas vidas. O resto é ritualística , aprendizado de um conteúdo muito disperso, algo que tem mais a ver com os encarnados do que com a espiritualidade . A espiritualidade se entende muito bem , apesar das diferenças rituais, e mesmo de diferençs magísticas e isso porque para os espíritos que trabalham apra a Luz o mais importante é fazerem os seus trabalhos , fazerm a caridade , sobre qual vestimenta e linguegem é o que menso importa. O que importa é o amor,a vontade de ajudar, de curar, de amar o outro de espalhar amor . .

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Olá Nino!!!

Creio que a Umbanda será Umbanda de verdade quando todos os adeptos respeitarem as diferenças entre as casas e entre os irmãos.

O ensinamento básico mas que é o maior de todos consiste no amor.

Voce soube representar tudo isso com seu texto.

Parabens!!!

Beijos de luz

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